PDCA reforça gestão contínua dos riscos ocupacionais nas empresas 

PDCA reforça gestão contínua dos riscos ocupacionais nas empresas 

A adoção de uma gestão contínua dos riscos ocupacionais pode contribuir para o fortalecimento das ações de prevenção e para o aprimoramento das condições de Segurança e Saúde no Trabalho (SST). Nesse contexto, o ciclo PDCA, metodologia baseada nas etapas de planejar, executar, verificar e agir, pode ser utilizado como ferramenta de apoio ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). 

Previsto na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), instituída pela Portaria nº 6.730, de 9 de março de 2020, o GRO estabelece que as organizações devem adotar medidas para avaliar e melhorar o desempenho em Segurança e Saúde no Trabalho. A norma também determina que a avaliação de riscos seja um processo contínuo, com revisão periódica e sempre que houver situações que possam alterar os riscos existentes ou a efetividade das medidas de prevenção. 

A avaliação deve ser revista, por exemplo, após a implementação de medidas de prevenção, para análise dos riscos residuais; diante de inovações ou mudanças em tecnologias, ambientes, processos, condições, procedimentos ou na organização do trabalho que possam gerar novos riscos ou modificar os existentes; quando forem identificadas inadequações, insuficiências ou ineficácia das medidas de prevenção; após acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho; em caso de alterações nos requisitos legais aplicáveis; ou mediante solicitação justificada dos trabalhadores ou da CIPA, quando houver. 

Em regra, a revisão deve ocorrer a cada dois anos. Para organizações que possuem certificações em sistemas de gestão de SST, esse prazo pode chegar a três anos, conforme previsto na NR-1. 

Nesse cenário, o PDCA pode contribuir para transformar a gestão de riscos em um processo sistemático de planejamento, execução, acompanhamento e correção. A metodologia é estruturada em quatro etapas. 

Planejar (Plan) é o momento de realizar o diagnóstico, identificar os perigos e avaliar os riscos, além de estabelecer metas e planos de ação que integrarão o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). 

Na etapa Fazer (Do), as ações planejadas são colocadas em prática. Isso inclui a implementação das medidas de prevenção e controle, a realização de treinamentos e a comunicação das orientações às equipes. 

Já o Checar (Check) corresponde ao monitoramento dos resultados. Nessa fase, são avaliadas a eficácia das medidas adotadas, a evolução dos indicadores de desempenho e o cumprimento dos objetivos estabelecidos. 

Por fim, a etapa Agir (Act) utiliza os resultados da verificação para identificar desvios e definir os ajustes necessários. A partir dessa análise, os processos podem ser aprimorados e as práticas que apresentaram bons resultados, padronizadas, dando início a um novo ciclo de melhoria. 

A aplicação do PDCA ao gerenciamento dos riscos ocupacionais está alinhada a princípios presentes em sistemas de gestão de SST, como os adotados pela ISO 45001. Entre os possíveis resultados estão o estímulo à melhoria contínua das práticas de segurança, o apoio à identificação e solução de problemas, o aprimoramento da tomada de decisões e o maior envolvimento das equipes nas ações de prevenção. 

O tema tem interface com o projeto “Monitoramento de dados de Saúde e Segurança no Trabalho e Relações Trabalhistas e iniciativas de prevenção de acidentes e valorização do trabalhador”, da Comissão de Política de Relações Trabalhistas (CPRT) da CBIC, em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi).   

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