Presidente da CBIC defende debate setorial sobre redução da jornada de trabalho em audiência no Senado

Presidente da CBIC defende debate setorial sobre redução da jornada de trabalho em audiência no Senado

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Eduardo Aroeira, participou nesta quarta-feira (1º) de audiência pública no Senado Federal sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e extingue a escala 6×1, sem redução salarial. Durante o debate, que reuniu representantes do governo, parlamentares, trabalhadores e do setor produtivo, Aroeira defendeu que a proposta seja discutida considerando os impactos econômicos e sociais para diferentes segmentos da economia.

Segundo o presidente da CBIC, estudos da entidade apontam que a redução da jornada poderá elevar entre 10% e 15% os custos da mão de obra na construção civil. “Se a gente discutir essa redução pensando simplesmente em empresários contra trabalhadores, corremos o risco de perder o principal problema que uma eventual implementação sem discussão pode causar, que é justamente prejudicar as pessoas mais necessitadas do nosso país”, afirmou. De acordo com a entidade, esse aumento poderá elevar entre 6% e 10% o custo das moradias do programa Minha Casa, Minha Vida e exigir recursos adicionais para manter o mesmo volume de habitações produzidas.

Aroeira também defendeu que a proposta considere as particularidades de cada atividade econômica e preveja um período de adaptação. “O melhor para o Brasil é que haja flexibilidade na discussão e que não se obrigue todos os setores a trabalhar em 40 horas. É importante que cada segmento tenha condições específicas e que exista uma transição mais longa, permitindo ganhos de produtividade para que ninguém seja prejudicado nesse processo”, concluiu.

Outro ponto abordado foi o impacto sobre o mercado de trabalho da construção. Conforme levantamento da CBIC, a redução da jornada exigiria a contratação de mais de 380 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de atividade do setor. “Enquanto o IPCA gira em torno de 4% a 5%, a inflação da mão de obra na construção civil já supera 8%. A necessidade de trabalhadores já é uma realidade e, com a redução da jornada, será ainda maior”, alertou.

Segundo estudo da CBIC, a redução da jornada poderá elevar em 36,6% os custos de obras de infraestrutura, o que representaria cerca de R$ 18 bilhões adicionais em investimentos ao longo de cinco anos. “O que adianta um trabalhador ter quatro horas a menos por semana se os investimentos em metrô, corredores de transporte e infraestrutura ficarem mais caros e atrasarem ainda mais? O que precisamos discutir é como garantir qualidade de vida para a população por meio da moradia, do saneamento e dos serviços públicos”, disse.

Foto: Agência Senado

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