Governo sinaliza ampliação do teto do MEI, mas mantém discussão sobre demais faixas do Simples Nacional

Governo sinaliza ampliação do teto do MEI, mas mantém discussão sobre demais faixas do Simples Nacional

O governo federal sinalizou que enviará à Câmara dos Deputados um projeto para ampliar o limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) e aumentar o número máximo de empregados permitidos na categoria. A proposta, no entanto, não deve contemplar alterações nas demais faixas de enquadramento do Simples Nacional, tema que continua em debate entre o setor produtivo, o Congresso Nacional e o Executivo.

Segundo a sinalização apresentada pelo governo, o limite anual de faturamento do MEI passaria dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028. O projeto também deverá permitir a contratação de até dois empregados simultaneamente e possibilitar o reenquadramento de empreendedores que deixaram recentemente o regime por excesso de faturamento. A iniciativa deverá tramitar em conjunto com o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2021, que trata da atualização dos limites de enquadramento do Simples Nacional.

Enquanto o governo concentra a proposta no MEI, entidades representativas do setor produtivo defendem uma atualização mais ampla do regime simplificado. A avaliação é de que a defasagem dos limites de faturamento não atinge apenas os microempreendedores individuais, mas também as microempresas e empresas de pequeno porte, além da necessidade de criação de mecanismos permanentes de correção monetária para preservar a efetividade do tratamento diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123/2006.

As discussões ocorrem no âmbito da Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa o PLP 108/2021. Nesta semana, o relator da matéria, deputado Jorge Goetten (REP-SC), reuniu-se com representantes do governo para discutir alternativas para a modernização dos limites de enquadramento. Como encaminhamento, foi criado um grupo de trabalho com representantes da comissão e do Executivo para elaborar estudos que conciliem a atualização do Simples Nacional com a responsabilidade fiscal.

O debate também vem sendo ampliado por meio de seminários estaduais promovidos pela Comissão Especial, que reúnem parlamentares, entidades empresariais e representantes do setor produtivo para discutir os impactos da atualização dos limites do MEI, das microempresas e das empresas de pequeno porte. Novos encontros estão previstos nas próximas semanas em Fortaleza (CE), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Feira de Santana (BA), dando continuidade às discussões sobre o aperfeiçoamento do regime simplificado.

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