ENIC 2026: Prefeito de Maringá cobra responsabilidade climática de gestores públicos 

ENIC 2026: Prefeito de Maringá cobra responsabilidade climática de gestores públicos 

Os gestores municipais brasileiros precisam se conscientizar sobre suas responsabilidades em relação à agenda climática e à construção sustentável, na opinião do atual prefeito de Maringá, Sílvio Barros. Em painel realizado durante o último dia do Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC) 2026, nesta quinta-feira (21), o mandatário da cidade paranaense defendeu a conscientização ambiental como tarefa obrigatória na gestão pública. Promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o evento aconteceu no Distrito Anhembi, na cidade de São Paulo. 

“Não é algo que uns se aprofundam mais e outros menos e fica tudo igual”, disse o prefeito. “Temos que fazer um trabalho de conscientização. O grande desafio são os gestores de cidade serem doutrinados em relação a isso [construção sustentável e mudanças climáticas].” 

Vice-presidente de Sustentabilidade e presidente da Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CMA) da CBIC, Nilson Sarti também destacou a urgência de transformação na cultura da engenharia e construção civil no Brasil para melhorar a sustentabilidade urbana.  

“Se não investirmos em infraestrutura sustentável, as cidades não vão suportar os impactos das mudanças climáticas”, disse Sarti. “Os parâmetros de pluviometria já estão ‘furados’. Precisamos olhar para frente e pensar em como tornar as cidades mais resilientes.” 

O ENIC é uma realização da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Correalização do Sesi e Senai; conta com o Apoio Institucional da EMBRAPII; Patrocínio Oficial da CAIXA e Governo do Brasil, onde tem patrocínio CAIXA, tem Governo do Brasil; Patrocínio Institucional da CNI e IEL e do CAU/BR; Patrocínio Hub de Tecnologia da Schneider Eletric e Steck; Patrocínio Hub de Inovação do Sebrae; Patrocínio Naming room de Tecnologia da ABDI; Patrocínio Ouro da ApexBrasil, Saint-Gobain, Paggo, Brain e Kata; Patrocínio Prata da Agilean, AltoQi, Atlas Schindler, Esaf, Konstroi, Senior, Sienge, Cofer, Confea Crea – SP e da Mútua; Patrocínio Bronze da TOTVS, Zigurat, Exxata, Fastbuilt, Falconi, Sinaenco, Sinicon, além do Patrocínio Visibilidade da Trimble. 

Custo da omissão – Barros apresentou soluções adotadas em Maringá para adaptar a cidade às mudanças climáticas. Entre elas, a ampliação e a reforma do Quartel do Corpo de Bombeiros, que será reconstruído com uso integral de madeira engenheirada — modelo inspirado em uma experiência de construção sustentável na Suécia. O método reduz desperdícios, acelera a execução da obra, com potencial de cortar pela metade o tempo de construção, e amplia ganhos ambientais. 

“Sim, a construção em madeira é mais cara”, destacou. “Mas o ponto principal não é o gasto imediato, e sim o custo de não agir. As mudanças climáticas vão cobrar um preço muito maior no futuro; talvez não para nós, mas para nossos filhos e netos. Por isso, a conta não pode ser apenas financeira. É preciso considerar também os impactos ambientais e sociais das decisões tomadas agora.” 

No fim do ano passado, as regiões oeste, sudoeste e centro-sul do Paraná foram as mais atingidas por um ciclone extratropical na região Sul. Ao menos seis pessoas morreram no evento e a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, com cerca de 14 mil habitantes, foi devastada por um tornado. Isso foi um dos motivos para Barros acelerar as ações relacionadas à construção sustentável. 

“Como o secretário-geral da ONU [António Guterres] alerta há muito tempo, o custo da omissão diante das mudanças climáticas é maior do que o custo da própria catástrofe”, frisou. “A partir disso, começamos a discutir o que fazer e como lidar com esse cenário.” 

Requalificação nos centros urbanos — Também participaram do debate Juliana Poletto Palácios, diretora-presente do Instituto iCities, e Douglas Meirelles, gerente de public Affairs e soluções integradas na Saint-Gobain. Palácios contou como o Instituto iCities, uma ICT que desenvolve projetos e soluções de transformação social no Paraná, vem liderando um processo de requalificação da região central de Curitiba. O objetivo, segundo a executiva, é devolve à cidade “sua vocação de moradia, trabalho e convivência”. 

O trabalho do iCities se apoia em seis pilares: inovação, dados, colaboração, multidisciplinaridade e foco no cidadão. A partir de sprints realizados na capital paranaense com profissionais de diversos setores (da academia e sociedade civil ao setor privado), o Instituto produziu um caderno com 100 propostas técnicas e multidisciplinares, boa parte já em execução, em colaboração com a prefeitura de Curitiba. 

“Ao invés de apenas esperar que as políticas públicas aconteçam para o setor produtivo e privado se movimentarem, passamos a contribuir, acelerar e trazer a visão deles, para que essas políticas públicas também sejam mais completas e gerem valor para diferentes segmentos”, disse. 

Ainda segundo Palácios, entre os benefícios construtivos no projeto do iCities, estão a flexibilização de parâmetros para retrofit de uso misto e a transferência de potencial construtivo para imóveis históricos. A questão do patrimônio histórico ganhou destaque no debate, especialmente diante das dificuldades enfrentadas por proprietários de UIPs (Unidades de Interesse de Preservação) em Curitiba.  

Percepção de valor – “O excesso de regras muitas vezes engessa o investimento privado, inviabilizando a geração de retorno financeiro e contribuindo para a deterioração desses imóveis”, destacou. 

Meirelles, por sua vez, destacou o Barômetro da Construção Sustentável, estudo global anual da Saint Gobain que mapeia percepções, tendências e desafios da sustentabilidade no setor. A edição mais recente, lançada em 2025, colheu dados de mais de 4.320 indivíduos em 27 países diferentes (entre eles, o Brasil).  

“Nosso objetivo é gerar consciência e direcionar o debate [sobre construção sustentável]”, explicou Meirelles. “Então a pesquisa traz informações reais e concretas, o que permite essa discussão de forma muito mais ampla e também gera um entendimento sobre a percepção de valor nessas ações.” 

Construir com respeito é construir para todos. Racismo não tem vez! 

O tema tem interface com o projeto “O Futuro da Minha Cidade”, da Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CMA) da CBIC, em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi). 

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