{"id":17125,"date":"2026-09-30T13:02:08","date_gmt":"2026-09-30T16:02:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jpasini.com.br\/site\/sustentabilidade-passa-a-ser-tambem-questao-de-competitividade-e-acesso-a-capital-aponta-nilson-sarti\/"},"modified":"2026-09-30T13:02:08","modified_gmt":"2026-09-30T16:02:08","slug":"sustentabilidade-passa-a-ser-tambem-questao-de-competitividade-e-acesso-a-capital-aponta-nilson-sarti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jpasini.com.br\/site\/sustentabilidade-passa-a-ser-tambem-questao-de-competitividade-e-acesso-a-capital-aponta-nilson-sarti\/","title":{"rendered":"Sustentabilidade passa a ser tamb\u00e9m quest\u00e3o de competitividade e acesso a capital, aponta Nilson Sarti"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cbic.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/nilson-sarti-da-silva-filho-ba-cma-1-scaled.jpg\" class=\"attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>\u201cO futuro da constru\u00e7\u00e3o ser\u00e1 cada vez mais baseado em produtividade, industrializa\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o, efici\u00eancia no uso de recursos, baixo carbono e resili\u00eancia.\u201d A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de Nilson Sarti, Vice-Presidente de Meio ambiente e Sustentabilidade da C\u00e2mara Brasileira da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o (CBIC).<\/p>\n<p>Em entrevista ao <strong>CBIC Hoje<\/strong>, ele fala sobre os desafios da nova gest\u00e3o de 2026\/2029 e a rela\u00e7\u00e3o entre sustentabilidade, competitividade e acesso a capital. Tamb\u00e9m aborda o avan\u00e7o da economia circular e as novas solu\u00e7\u00f5es e tecnologias que podem transformar a constru\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com MBA em Gest\u00e3o Empresarial pela Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), Sarti \u00e9 diretor da Akasa Incorporadora, conselheiro e ex-presidente da Associa\u00e7\u00e3o das Empresas do Mercado Imobili\u00e1rio da Bahia (ADEMI-BA).<\/p>\n<p>\u00c0 frente da Vice-Presid\u00eancia de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Sarti ter\u00e1 entre as prioridades para os pr\u00f3ximos tr\u00eas anos ampliar a prepara\u00e7\u00e3o do setor para uma realidade em que crit\u00e9rios ambientais e clim\u00e1ticos ter\u00e3o cada vez mais peso na oferta de recursos. Nesse cen\u00e1rio, a agenda de finan\u00e7as verdes e a Taxonomia Sustent\u00e1vel Brasileira ganham espa\u00e7o, assim como temas como descarboniza\u00e7\u00e3o, efici\u00eancia energ\u00e9tica e h\u00eddrica, economia circular, industrializa\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia das cidades.<\/p>\n<p><strong>Quais os principais desafios do setor da constru\u00e7\u00e3o para os pr\u00f3ximos tr\u00eas anos?<\/strong><\/p>\n<p>O setor da constru\u00e7\u00e3o ter\u00e1 pela frente o desafio de aumentar produtividade e competitividade ao mesmo tempo em que responde \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e \u00e0s novas exig\u00eancias de sustentabilidade. Precisamos avan\u00e7ar na descarboniza\u00e7\u00e3o, efici\u00eancia energ\u00e9tica e h\u00eddrica, gest\u00e3o de res\u00edduos, adapta\u00e7\u00e3o das cidades aos eventos clim\u00e1ticos extremos e industrializa\u00e7\u00e3o dos processos construtivos. Outro ponto fundamental \u00e9 transformar sustentabilidade em valor econ\u00f4mico e oportunidade de neg\u00f3cio. Isso passa pelo acesso a financiamento sustent\u00e1vel, pela qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra, inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e pela cria\u00e7\u00e3o de um ambiente regulat\u00f3rio que estimule solu\u00e7\u00f5es de baixo carbono sem aumentar desnecessariamente os custos e a complexidade para as empresas.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m precisa olhar para a resili\u00eancia das cidades e para as condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho das pessoas, porque os impactos clim\u00e1ticos j\u00e1 afetam infraestrutura, habita\u00e7\u00e3o, mobilidade, disponibilidade de recursos h\u00eddricos e produtividade dos trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>Diante deste cen\u00e1rio, quais as prioridades da CMA nesta nova gest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Uma das nossas principais prioridades ser\u00e1 preparar o setor da constru\u00e7\u00e3o para uma nova realidade de financiamento, em que crit\u00e9rios ambientais e clim\u00e1ticos ter\u00e3o cada vez mais peso na aloca\u00e7\u00e3o de recursos. Por isso, a agenda de finan\u00e7as verdes e da Taxonomia Sustent\u00e1vel Brasileira ser\u00e1 estrat\u00e9gica para a CMA. Precisamos familiarizar nossas empresas, nossas entidades e nossos profissionais com esses conceitos. A Taxonomia n\u00e3o deve ser vista apenas como uma agenda regulat\u00f3ria, mas como uma ferramenta que poder\u00e1 orientar investimentos e ampliar o acesso do setor a recursos destinados a atividades sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Nosso papel ser\u00e1 traduzir essa agenda para a realidade das empresas da constru\u00e7\u00e3o, mostrando o que muda, quais s\u00e3o os crit\u00e9rios, quais informa\u00e7\u00f5es ser\u00e3o necess\u00e1rias e como as empresas podem se preparar para demonstrar sua ader\u00eancia. Queremos orientar o setor para que ele n\u00e3o seja apenas um observador dessa transforma\u00e7\u00e3o, mas esteja preparado para acessar financiamento verde, estruturar projetos sustent\u00e1veis e aproveitar novas oportunidades de investimento.<\/p>\n<p>Isso se conecta diretamente ao nosso projeto de Finan\u00e7as Sustent\u00e1veis para a Constru\u00e7\u00e3o, que busca aproximar o setor dos instrumentos financeiros e criar condi\u00e7\u00f5es para que projetos de baixo carbono, efici\u00eancia energ\u00e9tica, efici\u00eancia h\u00eddrica e resili\u00eancia possam sair do papel.<\/p>\n<p><strong>Como a constru\u00e7\u00e3o pode ampliar o uso de fontes de energia renov\u00e1veis e de solu\u00e7\u00f5es que reduzam as emiss\u00f5es de carbono ao longo da cadeia produtiva?<\/strong><\/p>\n<p>Existe uma rela\u00e7\u00e3o muito direta entre descarboniza\u00e7\u00e3o e acesso a capital. A empresa que mede suas emiss\u00f5es, melhora sua efici\u00eancia energ\u00e9tica e h\u00eddrica, utiliza fontes renov\u00e1veis e demonstra seus resultados estar\u00e1 mais preparada para atender \u00e0s novas exig\u00eancias do mercado financeiro. \u00c9 justamente por isso que precisamos familiarizar o setor com a Taxonomia Sustent\u00e1vel Brasileira e com os mecanismos de finan\u00e7as verdes. N\u00e3o podemos esperar que o mercado financeiro avance e somente depois tentar adaptar nossas empresas.<\/p>\n<p>Precisamos preparar o setor agora: entender os crit\u00e9rios, organizar dados, desenvolver indicadores, qualificar projetos e demonstrar resultados ambientais. Isso ser\u00e1 cada vez mais importante para acessar linhas de cr\u00e9dito, investimentos e outros instrumentos financeiros vinculados \u00e0 sustentabilidade.<\/p>\n<p>A CMA tem um papel importante nesse processo: informar, capacitar e orientar. Queremos que uma empresa de constru\u00e7\u00e3o saiba n\u00e3o apenas que existe uma oportunidade de financiamento verde, mas tamb\u00e9m o que precisa fazer para estar preparada para acessa-la. A sustentabilidade, portanto, deixa de ser apenas uma quest\u00e3o ambiental. Ela passa a ser tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de competitividade, acesso a capital e futuro dos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p><strong>A economia circular tem ganhado espa\u00e7o na constru\u00e7\u00e3o, com o reaproveitamento de materiais e a redu\u00e7\u00e3o de res\u00edduos. Quais s\u00e3o os principais desafios para ampliar a ado\u00e7\u00e3o dessas pr\u00e1ticas no setor?<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro desafio \u00e9 mudar a l\u00f3gica linear da constru\u00e7\u00e3o: extrair, produzir, utilizar e descartar. Precisamos avan\u00e7ar para uma l\u00f3gica em que materiais e componentes sejam pensados desde o projeto para ter maior durabilidade, possibilidade de manuten\u00e7\u00e3o, reutiliza\u00e7\u00e3o e reciclagem. Um segundo desafio \u00e9 econ\u00f4mico e regulat\u00f3rio. Ainda existem barreiras relacionadas \u00e0 padroniza\u00e7\u00e3o, certifica\u00e7\u00e3o, rastreabilidade e seguran\u00e7a t\u00e9cnica dos materiais reutilizados. Tamb\u00e9m precisamos desenvolver mercados que deem escala para esses produtos juntamente com a nossa cadeira de fornecedores.<\/p>\n<p>Outro ponto \u00e9 o projeto. A economia circular come\u00e7a muito antes da obra, come\u00e7a na concep\u00e7\u00e3o da edifica\u00e7\u00e3o. Projetar para desmontagem, manuten\u00e7\u00e3o, adapta\u00e7\u00e3o e reutiliza\u00e7\u00e3o pode reduzir significativamente o desperd\u00edcio e prolongar a vida \u00fatil dos ativos. E existe uma grande oportunidade na industrializa\u00e7\u00e3o e na constru\u00e7\u00e3o modular, porque esses processos permitem maior controle sobre materiais, redu\u00e7\u00e3o de perdas e melhor planejamento da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Quais solu\u00e7\u00f5es e tend\u00eancias em materiais e tecnologias sustent\u00e1veis t\u00eam se destacado no setor da constru\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Estamos vivendo uma transforma\u00e7\u00e3o importante. Entre as tend\u00eancias, eu destacaria os novos materiais de menor pegada de carbono, sistemas construtivos industrializados, constru\u00e7\u00e3o em madeira engenheirada, materiais reciclados e recicl\u00e1veis, tecnologias para efici\u00eancia energ\u00e9tica e h\u00eddrica e solu\u00e7\u00f5es digitais para gest\u00e3o ambiental. A madeira engenheirada, por exemplo, vem ganhando espa\u00e7o como alternativa para determinados sistemas construtivos, especialmente quando associada a manejo respons\u00e1vel e adequada avalia\u00e7\u00e3o do ciclo de vida.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m vemos uma evolu\u00e7\u00e3o muito grande na utiliza\u00e7\u00e3o de BIM, intelig\u00eancia artificial, sensores, digital twins e sistemas de gest\u00e3o de energia e \u00e1gua, al\u00e9m de iniciativas voltadas \u00e0s Solu\u00e7\u00f5es Baseadas na Natureza, as SBNs. Essas tecnologias permitem tomar decis\u00f5es melhores desde o projeto at\u00e9 a opera\u00e7\u00e3o da edifica\u00e7\u00e3o. Mas eu destacaria uma tend\u00eancia ainda mais importante: a sustentabilidade est\u00e1 deixando de ser um atributo isolado e passando a fazer parte da estrat\u00e9gia do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>O futuro da constru\u00e7\u00e3o ser\u00e1 cada vez mais baseado em produtividade, industrializa\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o, efici\u00eancia no uso de recursos, baixo carbono e resili\u00eancia. O papel da CMA\/CBIC \u00e9 ajudar o setor a transformar essas tend\u00eancias em solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, economicamente vi\u00e1veis e aplic\u00e1veis \u00e0 realidade das empresas brasileiras.<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/cbic.org.br\/sustentabilidade-passa-a-ser-tambem-questao-de-competitividade-e-acesso-a-capital-aponta-nilson-sarti\/\">Sustentabilidade passa a ser tamb\u00e9m quest\u00e3o de competitividade e acesso a capital, aponta Nilson Sarti<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/cbic.org.br\/\">CBIC \u2013 C\u00e2mara Brasileira da Industria da Constru\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO futuro da constru\u00e7\u00e3o ser\u00e1 cada vez mais baseado em produtividade, industrializa\u00e7\u00e3o, inova\u00e7\u00e3o, efici\u00eancia no uso de recursos, baixo carbono e resili\u00eancia.\u201d A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 de Nilson Sarti, Vice-Presidente de Meio ambiente e Sustentabilidade da C\u00e2mara Brasileira da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o (CBIC). 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